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Surprise fathers reflection seriously
Medicina
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Dezessete anos após o surgimento do remédio que revolucionou a vida sexual dos homens com problemas de ereção, a Food and Drug Administration (FDA), órgão responsável pela regulamentação de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos), aprovou  a venda do primeiro medicamento para aumentar o desejo sexual das mulheres.

Dezessete anos após o surgimento do remédio que revolucionou a vida sexual dos homens com problemas de ereção, a Food and Drug Administration (FDA), órgão responsável pela regulamentação de medicamentos e alimentos nos Estados Unidos), aprovou  a venda do primeiro medicamento para aumentar o desejo sexual das mulheres.

 

Diferentemente do comprimido azul, que age na disfunção erétil, a pílula rosa busca elevar a libido da mulher atuando na bioquímica cerebral por meio do uso contínuo. A substância flibanserina, apelidada de “viagra feminino” chega às farmácias dos Estados Unidos em outubro com o nome comercial de Addyi.

Especialistas alertam que o medicamento é indicado apenas para mulheres na fase da pré-menopausa que tenham disfunção sexual adquirida e crônica.

A liberação do Addyi ocorre após a substância ter a sua comercialização negada duas vezes pela FDA. Para liberar a vcomercialização, a agência americana cobrou do laboratório mecanismos para a diminuição dos efeitos adversos da droga, que incluem náusea, sonolência, pressão baixa e até desmaios.

O sexólogo Gerson Lopes, membro da Associação de Ginecologistas e Obstetras de Minas Gerais (Sogimig), participou do projeto de divulgação da droga no Brasil há alguns anos, quando os estudos estavam a cargo do laboratório alemão Boehringer Ingelheim. “Originalmente, o medicamento era usado como antidepressivo”, afirma.

Lopes explica que em 2011 os direitos foram adquiridos pela norte-americana Sprout Pharmaceuticals. De acordo com o laboratório, 11 mil mulheres participaram do estudo, que demonstrou melhora na libido e aumentou o número de eventos sexuais satisfatórios.

“Pode ser que seja apenas um auê grande, mas acredito que representa um avanço para a medicina, especialmente no sentido de abordar a sexualidade feminina pelo lado do prazer”, afirma o sexólogo.

Ele sexólogo acredita que a aprovação pela FDA facilitará a chegada da flibanserina ao Brasil. “Provavelmente algum laboratório brasileiro deve buscar parceria. As medicações aprovadas pelo FDA têm mais facilidade de serem aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)”.

Contraindicações. A FDA alerta, no entanto, para os possíveis efeitos colaterais da flibanserina, principalmente se o seu uso for associado ao álcool. Nesses casos, a paciente pode apresentar severa queda de pressão e perda de consciência. “Os pacientes e os médicos que o prescreverem devem entender totalmente os riscos associados no uso do Addyi antes de considerar o tratamento”, disse a diretora do Centro para Avaliação e Pesquisas da FDA, Janet Woodcock.

“Como é uma medicação que age no sistema nervoso central, não pode ser usada de qualquer forma. Tem que ter critério e receita médica”, alerta Lopes.

Ecstasy. Para outro especialista, que não quis se identificar, a pílula representa um sério risco. Ele chegou a comparar seus efeitos ao da droga sintética ecstasy, que virou febre por aumentar o bem-estar e a euforia. Segundo ele, a pessoa fica falante, dando a impressão de ser muito sociável. A sensualidade também fica alterada. Para a maioria, aumenta o desejo sexual (para alguns diminui). Mas depois que o efeito passa, o nível de serotonina cai e aí vem a depressão.

Metade delas têm dificuldades

Um estudo publicado recentemente pelo Projeto Sexualidade, da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que metade das brasileiras tem alguma dificuldade sexual persistente. O problema mais comum é a falta de desejo ou excitação, que atinge entre um terço e um quarto das entrevistadas. Em seguida, aparecem a dificuldade de atingir o orgasmo (26,2%) e a dor durante a relação sexual (17,8%).

O Food and Drugs Administration (FDA) aprovou o Addyi especificamente para uma condição conhecida como “distúrbio de desejo sexual hipoativo generalizado adquirido (HSDD na sigla em inglês)”, que provoca a perda súbita e severa da libido, destacou a FDA em um comunicado.

O distúrbio pode se desenvolver em mulheres sexualmente ativas anteriormente, provocando angústia e problemas de relacionamento, “e não se deve a uma condição médica ou psiquiátrica coexistente, a problemas no relacionamento ou a efeitos de uma medicação ou substância”.

Rebecca Zucconi, professora assistente de ciências médicas da Escola de Medicina Frank H. Netter, da Universidade de Quinnipiac, disse que o distúrbio de desejo sexual hipoativo generalizado adquirido (ou HSDD) é a disfunção sexual mais comumente diagnosticada em mulheres.
“Até agora, os médicos se limitavam a recomendar educação, aconselhamento, psicoterapia e, em alguns casos, o uso de testosterona e terapia de estrogênio como opções de tratamento para mulheres com HSDD”, disse Zucconi.

“A decisão de hoje (anteontem) dá às mulheres preocupadas com seu baixo desejo sexual uma opção de tratamento aprovado”, disse Janet Woodcock, diretora de pesquisas da FDA.

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